Sexta passada vi pela quinta vez o imperdível espetáculo
Dzi Croquettes em Bandalia, agora em turnê pelos espaços Sesc do Estado do Rio de Janeiro. Dessa vez, não sei dizer exatamente o motivo, fiquei bastante emocionado quando
Bayard Tonelli, um dos remanscentes dos Dzi originais, recitou seu poema
Borboletas Também Sangram, publicado originalmente em seu livro
Dzi In Verso e que posto aqui.
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BORBOLETAS TAMBÉM SANGRAM
Borboletas também sangram
Aos suaves talhos de
Ágeis e ásperas plumas
De artistas celestiais
Na busca cruel e incessante
Da beleza plena
Borboletas também sangram e sofrem
Nos campos de batalhas
Nos lares, escritórios
E ao se verem preteridas
Postas de lado por exuberantes
Lagartas oportunistas
Ao tomarem o centro do jardim
Borboletas também sangram, sofrem e choram...
Mágoas perdidas em desencontros
De dias fúteis
Voam em rotas feridas
No atrito de violentas paixões marginais
Onde entraram inocentes e desprevenidas
Borboletam também sangram, sofrem, choram e se desesperam...
A chicotadas de línguas ferinas a tentar
Diminuir seu esplendor e leveza
E desaparecem em lembranças varridas
Ao canto mais escuro do quarto
Embaixo do velho tapete persa
Puído por desinformadas e vorazes traças
Borboletas sangram
Sofrem choram
E se desesperam
Mas nunca desistem de voar...
Bayard Tonelli - Março 2008